Um dia eu fiquei muito apavorada quando me contaram que havia uma família que não tinha televisão, geladeira e tais outros eletrodomésticos que facilitam a nossa vida. Logo eu comecei a falar: - meu Deus, como vive essa gente? Que horror. Alguém me respondeu: - Não tem como sentir falta do que nunca se teve.
Até então eu concordava com isso, que era impossível sentir falta de algo que nunca se teve, algo do qual tu não sabe a sensação então não tem como projeta-la pra si.
Certa vez eu tentei descrever como seria o homem dos meus sonhos e consegui faze-lo fisicamente, raro, mas não impossível de ser encontrado. Logo parei e vi que, por aparencia ele já era difícil de ser encontrado, agora imagine alguém com toda a aparencia e ainda uma personalidade interessante pra mim, imaginou? Pois é, eu não conseguia imaginar, então tratei de apagar essa ideia, porque eu não tinha algo que me levasse além das palavras, só havia palavras que não me levavam a ter visão alguma do retrato final do "príncipe encantado".
Com o tempo, ficou mais difícil de imaginar as coisas. Não pela falta de imaginação, mas pelo excesso de realidade. Comecei a pensar em modos de atingir algo que só é possível na mente, mas isso é mais difícil do que eu pensava, porque é complicado de transformar algo que surgiu como uma nuvem em um muro de concreto. São como duas linhas paralelas que nem no infinito vão se cruzar.
Espero que tudo aquilo apareça novamente, creio que foi algo único e que eu não posso explicar, porque nunca aconteceu na minha vida, foi apesar uma sensação projetada pela minha imaginação, seria grata se não fosse apenas isso, mas tenho absoluta certeza de que foi só isso. Ainda bem que nunca existiu somente a cosmovisão do "tudo material", nem a do "tudo espiritual", acho que a confusão já se espalhou e até isso aqui já esta confuso. Boa noite..
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